31.5.11
29.5.11
Notícia no Correio da Manhã (e TVI) sobre uma auditoria supostamente em curso no Tribunal de Contas sobre as PPPs e o organismo criado para as regular - com suspeitas muito sérias, envolvendo muitos milhões de euros, alegadamente desperdiçados em renegociações de contratos.
Os senhores e senhoras jornalistas não poderiam investigar mais este tema, comparando contratos, entrevistando as partes interessadas, contactando especialistas em obras públicas - e procurando chegar a conclusões sobre estas alegações? A transferência do CEO da Estradas de Portugal para o sector privado das obras públicas também não merece destaque?
Infelizmente parece que grande parte dos jornalistas em Portugal preferiram ser comentadores (ou relatores de "arruadas") a produtores de notícias relevantes e originais. Depois não se queixem que cada vez menos pessoas compram jornais ou que grande parte dos empregos que surgem na comunicação social sejam "precários".
28.5.11
Freitas do Amaral sobre Socrates - link (ver tambem a comparacao de Carlos Fiolhais entre o rato Mickey e o PM - link).
Carlos Costa - Portugal como uma empresa que gastou o dinheiro para as maquinas em casas de banho - link.
Versao final do memorando - link.
Taxa de desemprego 1932-2010 - servico publico de Alvaro Santos Pereira - link.
IZA discussion paper 5690, por Joshua Angrist, Susan Dynarski, Thomas J. Kane, Parag A. Pathak, e Christopher R. Walters
Abstract:
The [US] largest charter management organization is the Knowledge is Power Program (KIPP). KIPP schools are emblematic of the No Excuses approach to public education, a highly standardized and widely replicated charter model that features a long school day, an extended school year, selective teacher hiring, strict behavior norms, and a focus on traditional reading and math skills. No Excuses charter schools are sometimes said to focus on relatively motivated high achievers at the expense of students who are most difficult to teach, including limited English proficiency (LEP) and special education (SPED) students, as well as students with low baseline achievement levels.
We use applicant lotteries to evaluate the impact of KIPP Academy Lynn, a KIPP school in Lynn, Massachusetts that typifies the KIPP approach. Our analysis focuses on special needs students that may be underserved. The results show average achievement gains of 0.36 standard deviations in math and 0.12 standard deviations in reading for each year spent at KIPP Lynn, with the largest gains coming from the LEP, SPED, and low-achievement groups. The average reading gains are driven almost completely by SPED and LEP students, whose reading scores rise by roughly 0.35 standard deviations for each year spent at KIPP Lynn.
27.5.11
O primeiro-ministro assume os compromissos, é frontal, não esconde as notícias negativas aos portugueses, pôs o país a crescer depois da crise, não se envolveu em casos de corrupção nem com a comunicação social, não pôs assessores pagos pelos contribuintes a difundir propaganda em blogs anónimos, não aumentou a dívida nem o défice público, não desperdicou dinheiro com energias "alternativas" carissimas, não nomeou amigos para altos cargos em bancos privados, não gastou dinheiro publico para tomar pequeno-almoço com futebolistas em vésperas de eleições, não usou truques contabilisticos para reduzir o defice, não demonizou os mercados que nos emprestam dinheiro para pagar salarios e reformas, sempre disse que governaria com o FMI, não forçou Portugal a seguir políticas ditadas de fora nem ficar refém de decisões de outros países para não entrar em bancarrota, e trouxe grande prestigio internacional ao pais.
Também conseguiu assegurar que o desemprego e a emigração estejam a diminuir, os mercados são flexíveis e bem regulados, os hospitais e o SNS não têm dívidas, os tribunais têm cada vez menos processos em atraso, as empresas de transporte público reduziram os seus passivos, os programas públicos (como o Novas Oportunidades e o Magalhães) são avaliados com rigor e produzem ganhos consideráveis para o país, nomeou ministros de reconhecida competência nas suas pastas, conduziu com grande eficacia a introducao de portagens nas SCUTS, negociou varias PPP com grande vantagem para o contribuinte e muitos elogios do Tribunal de Contas, e escreveu um programa politico para 2011-2015 de grande rigor e imaginacao e perfeitamente consistente com o memorando.
O nosso querido primeiro-ministro sem duvida que merece continuar no poder a manter Portugal no caminho da prosperidade por muitos mais anos!
Alguem consegue dizer que politicas ira Socrates implementar se continuar como primeiro-ministro no novo governo?
Que ideias reter desta campanha eleitoral em que o primeiro-ministro que esteve seis anos no poder gasta todo o seu tempo a criticar versoes distorcidas das propostas da oposicao e recusa-se a falar dos seus projectos para o pais - ou de reflectir com seriedade sobre a enorme crise em que Portugal esta' e as mudancas que ha a fazer?
Parece-me que nem sequer e' claro que Jose "nao-estou-disponivel-para-governar-com-o-FMI" Socrates queira ou consiga implementar o memorando, quanto mais que tenha ideias politicas novas. (Quem seria o seu Ministro das Financas? Havera alguem em Portugal com prestigio, capacidade tecnica e ao mesmo tempo disponivel para trabalhar para Socrates?)
5 de Junho e' uma especie de momento de verdade para Portugal, uma das ultimas oportunidades para evitar a decadencia ou, pelo menos, uma estagnacao muito prolongada, mesmo numa altura de resurgencia economica mundial.
Um working paper de Esteban Jaimovich e Juan Pablo Rud com interesse para compreender a situacao politica portuguesa.
Abstract: We propose a model where the size of the public sector and the level of aggregate output are interrelated through the occupational choice of skilled agents, who differ in their degree of public-mindedness. Whenever the public sector attracts bureaucrats with low degree of public service motivation, they will use their position to rent seek by employing an excessive number of unskilled workers. This leads to an equilibrium with relatively high unskilled wages, which lowers profits and deters entrepreneurship. Conversely, an equilibrium with a lean public sector and greater private economic activity arises whenever public sector motivated agents populate the state bureaucracy. These agents exert high effort and employ a limited number of unskilled workers. We extend the model to show that a bloated public sector with high wages might result from the optimal voting behaviour of unskilled agents. [...]
Um aspecto importante que pode levar ao "mau" equilibrio neste modelo e' que "the unskilled workers indirectly benefit from the actions perpetrated by the rent-seekers, by receiving higher market wages. As a consequence, they may be willing to support institutions that leave room open for rent seeking" (pag. 4).
26.5.11
IZA DP 5710, por Torben Andersen
Abstract:
Flexicurity labour markets are characterised by flexible hiring/firing rules, generous social safety net, and active labour market policies. How can such labour markets cope with the consequences of the Great Recession? Larger labour shedding is to be expected and this strains the social safety net and increases the demands on active labour market policies. This paper takes a closer look at the labour market consequences of the crisis for Denmark. It is found that employment adjustment is not particularly large in international comparison, although it has more weight on the extensive (number of employees) than the intensive (hours) margin. The level of job creation remains high, although job creation is pro-cyclical and job-separation counter-cyclical. As a consequence most unemployment spells remain short. This is critical since a persistent increase in unemployment will affect the financial balance of the model severely. Comparative evidence does not, however, indicate that flexicurity markets are more prone to persistence. Crucial for this is the design of the social safety net and in particular the active labour market policy. However, the larger inflow into activation raises questions concerning the possibility of maintaining the efficiency of the system.
Referencia ao prolifico trabalho de James Heckman neste tema no Economist.
E' tambem uma das areas desenvolvidas pela associacao EPIS em Portugal e avaliada aqui.
25.5.11
... "investidos" na divida publica portuguesa, apesar das garantias em contrario quando o assunto primeiro surgiu. Preocupante nao so pela incerteza do valor dos fundos - sobretudo pela mentira.
24.5.11
1. Relatorio critico da Unidade Tecnica de Apoio Orcamental sobre a execucao do orcamento no primeiro trimestre - link.
Excertos:
"Na despesa efectiva verificou-se uma diminuição de 3,6% face ao período homólogo de 2010, o que representaria aparentemente uma margem de 0,9 p.p. face à taxa de variação implícita do OE/2011 (uma redução de 2,7%). Contudo, esta aparente melhor execução da despesa reflecte apenas uma baixa execução do pagamento de juros da dívida pública, que se encontram concentrados no 2.º trimestre, bem como uma baixa execução da despesa de capital. Assim, neste 1.º trimestre, a despesa corrente primária registou uma diminuição de 3,6% face ao período homólogo de 2010, ficando 3,3 p.p. aquém da taxa de variação implícita do OE/2011 (que é de uma redução de 6,9%)."
"A referida redução de 3,6% da despesa efectiva dos serviços integrados na óptica de caixa beneficiou ainda de um acréscimo de 205,9 M€ em termos homólogos da variação de dívidas dos Serviços Integrados do Subsector Estado, no 1.º trimestre de 2011. Assim, a despesa efectiva expressa numa óptica aproximada à da contabilidade nacional registaria apenas uma diminuição de 1,6%, equivalente em termos nominais a 167,1 M€. De igual modo a redução da despesa primária seria de apenas 1,3% numa óptica aproximada à das contas nacionais (ao invés da redução de 3,3% apurada na óptica de caixa). "
"Não obstante as medidas de consolidação orçamental entretanto tomadas, a evolução favorável do saldo deste subsector [seguranca social] não decorre de uma diminuição do nível de despesa, mas antes, resulta do ritmo de crescimento da receita efectiva cobrada (3,1%) ter sido superior ao da despesa incorrida neste período (1,9%)."
2. "A injustica das Novas Oportunidades", por Avelino de Jesus no Jornal de Negocios - link - argumentando que a massificacao dos diplomas provocada pelo programa ira desvirtua-los e dificultar a mobilidade social:
"O programa é de uma injustiça atroz, metendo no mesmo saco as pessoas que naturalmente procuram pelo seu esforço um avanço na escolaridade e o mereceriam em qualquer circunstância pelo seu esforço e mérito e aquelas que apenas aproveitam, inconscientemente ou não, mais uma dádiva paternalista e pseudo-protectora."
23.5.11
... entre o numero de pessoas que, baseadas nas suas experiencias, apontam criticas ao programa e as que o defendem? Aqui mais varios exemplos eloquentes do primeiro grupo.
Por outras palavras, porque e' que nao ha praticamente nenhum participante no programa que elogie o programa em publico - por exemplo na comunicacao social, em blogs ou em caixas de comentarios? Que, espontaneamente, afirme que aprendeu muito, que conseguiu acesso a novos e melhores empregos, ou mesmo que simplesmente ganhou em auto-estima?
E' sabido que nao se pode concluir muito com amostras dos dois ou tres casos especificos que se conheca - mas o conjunto de exemplos difundidos na comunicao social comeca a apontar claramente num sentido.
Governador do banco central espanhol contra a tese dos "especuladores" - link. Nao admira que os indicadores de desenvolvimento espanhois sejam mais elevados que os portugueses - tambem tem dirigentes mais esclarecidos.
22.5.11
"Há gente em Portugal, independentemente da sua origem, que se mete num autocarro às primeiras horas da manhã para à tarde ou à noite ser figurante numa sala ou numa praça cheia, porque sabe que lhe vão dar pelo menos uma refeição.", Luciano Alvarez, no Publico.
"How can you tell if a policy is working? Run a trial" - Ben Goldacre, no Guardian
19.5.11
18.5.11
Pelo menos a campanha eleitoral serve para se lembrar a importância de avaliar programas públicos. E como o memorando indica (exige?) a avaliação dos programas na área da educação, talvez as coisas mudem mesmo dentro de alguns meses.
PS - Em relação à natureza da análise das NO conduzida por Roberto Carneiro, será suficiente ler o relato das declarações do próprio aquando da apresentação do seu relatório: "O nosso objectivo não é avaliar o rigor e a qualidade da INO. Avaliámos foi a percepção das pessoas sobre a INO".
17.5.11
Noticia aqui: "Lusa demite chefe de serviços comerciais invocando "falta de confiança política"".
Prevejo conclusão do caso daqui a dois ou três anos, quando acabar o julgamento, com pesada (e, aparentemente, inteiramente justa) indemnização a ser paga pelos contribuintes (pela Lusa).
Segundo a notícia, o presidente do conselho de administração da empresa até concordou com a demissão antes mesmo de concluir a averiguação dos factos...
16.5.11
14.5.11
12.5.11
Abstract: About one in four workers challenges her dismissal in front of a labor court in France. Using a data set of individual labor disputes brought to French courts over the years 1996 to 2003, we examine the impact of labor court activity on labor market flows. First, we present a simple theoretical model showing the links between judicial costs and judicial case outcomes. Second, we exploit our model as well as the French institutional setting to generate instruments for these endogenous outcomes. In particular, we use shocks in the supply of lawyers who resettle close to their university of origin. Using these instruments, we show that labor court decisions have a causal effect on labor flows. More trials and more cases won by the workers cause more job destructions. More settlements, higher filing rates, and a larger fraction of workers represented by a lawyer dampen job destructions. Various robustness checks confirm these findings.
11.5.11
9.5.11
"The political reason this crisis goes from bad to worse is an unresolved collective action problem. Both sides are at fault. The tight-fisted, economically illiterate northern parliamentarian is as much to blame as the southern prime minister who cares only about his own backyard. The Greek government played it relatively straight but Portugal’s crisis management has been, and remains, appalling.
José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.
You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates, or with finance ministers who spread rumours about a break-up. Europe’s political elites are afraid to tell a truth that economic historians have known forever: that a monetary union without a political union is simply not viable. This is not a debt crisis. This is a political crisis. The eurozone will soon face the choice between an unimaginable step forward to political union or an equally unimaginable step back. We know Mr Schäuble has contemplated, and rejected, the latter. We also know that he prefers the former. It is time to say so."
7.5.11
6.5.11
5.5.11
"Portugal’s €78bn bail-out from the European Union and the International Monetary Fund has too much cash and too few conditions. The EU, playing good cop, is providing two-thirds of the funding (the total package amounts to 45 per cent of Portugal’s gross domestic product) and the IMF, as bad cop, one-third. This reflects a troubling imbalance between the two lenders of last resort. If ever an economy needed less of Europe and more of the Fund, it is Portugal.
Portugal has wasted its decade in the eurozone. The economy enjoyed a small growth spurt before joining, thanks to the reforms needed to ensure that Lisbon qualified for membership. Yet between 2001 and 2007 its economy grew by only 1.1 per cent a year, according to Capital Economics. That compares to over 5 per cent annually in Ireland, and, although it is about equivalent to growth rates in Italy and Germany in the period, the Portuguese economy remains both poorer and less industrially developed than those two core eurozone economies. Lisbon has a huge job to do to catch up with the rest of Europe. Yet José Sócrates, caretaker prime minister, gave no hint of this in announcing the bail-out late on Tuesday. In comments that smacked of complacency and one-upmanship, he seemed to suggest that resorting to a huge rescue package would be relatively pain free. There has been speculation that the EU and the IMF fought over how tough the bail-out’s terms and conditions should be. It would be nice if this were true: given the scale of the structural adjustment it requires, Fund officials should have been itching to get their hands on the Portuguese economy, which resembles an emerging market. A dose of Washington Consensus medicine is precisely what Portugal needs."
4.5.11
Link (ainda versao draft?), no Jornal de Negocios.
Primeira reaccao (essencialmente pelas manchetes dos jornais): que bom Portugal ser governado pelo FMI.
3.5.11
... nos Estados Unidos, em que actuais e antigos alunos agradecem o trabalho de professores especiais.
Ainda nao existe em Portugal, de acordo com esta fonte.
"Portugal must grow its way out of trouble", por Pedro Passos Coelho: "Reducing costs through an austerity programme is urgently necessary. The most effective, and fairest, way to achieve this is through a leaner and more efficient public sector. Portugal needs to restructure general government, state-owned enterprises and public-private partnerships and concessions that do not provide value for money [...]. The three previous government austerity packages (not implemented as agreed) and the fourth (unanimously rejected by parliament) were focused too much on austerity for ordinary citizens, rather than reducing the size of the state."
"A grande mascarada", por Helena Garrido: "O primeiro passo para aproveitarmos a última oportunidade que temos para o euro ser a nossa moeda exige que os líderes políticos, com especial relevo para o primeiro-ministro, reconheçam que o Estado viveu em total e absoluta irresponsabilidade financeira durante década e meia."
"Odorico Paraguaçu", por Paulo Pinho: "[C]onviria que aqueles que politicamente fingem defender o Estado Social expliquem aos portugueses que, mais investimento público inútil hoje, implica inevitavelmente menos apoio na saúde e pensões de reforma no futuro (próximo)."