7.9.16

 

Flexibilidade no trabalho suplementar e emprego

Avaliacao de mais uma componente da reforma laboral de 2012, neste caso da remuneracao do trabalho suplementar. O estudo sugere um efeito positivo ao nivel de maior resiliencia do emprego.

Abstract:

In 2012, in the midst of a recession, a labour law reform in Portugal allowed firms to reduce the overtime premium paid to their workers by 50% or more. Until then, overtime premiums were set by law at a relatively high level and could not be cut unilaterally. We analyse matched employer-employee panel data, including worker-level base and overtime hours and pay, to shed light on the effects of the resulting greater flexibility in overtime pay setting. We find that half of the firms using overtime in 2011 did reduce their overtime premiums in a manner consistent with the reform, in particular those firms making greater use of overtime and paying higher premiums. Moreover, using difference-in-differences matching and a long list of covariates, we find that those firms that cut overtime premiums exhibit significant relative increases in overtime usage, employment and sales following the reform. Overall, our results highlight the important but not exclusive role of legal restrictions behind downward nominal pay rigidity. Our findings also suggest a significant potential of overtime pay flexibility to promote employment, even during a downturn.

Paper disponivel aqui.

11.5.16

 

Dez anos de "Economia das Pessoas"!


6.5.16

 

Entrevista ao emprego.co.mz


https://www.emprego.co.mz/o-desemprego-e-dos-problemas-mais-significativos-nas-sociedades-modernas/

10.4.16

 

Contributo para o relatorio anual de 2015 da EPIS


"Without data, you are just another person with an opinion”
W. Edwards Deming



Entre os vários aspetos inovadores do trabalho dedicado de promoção do sucesso escolar desenvolvido pela EPIS, gostava de aproveitar esta ocasião para sublinhar o rigor não só na implementação mas também no acompanhamento e medição das intervenções realizadas.

Entre outros aspetos, este rigor permitiu a criação de uma base de dados única no panorama nacional e até internacional, com informação longitudinal anonimizada sobre o desempenho escolar e outras características de quase cem mil alunos ao longo dos últimos oito anos letivos. Trata-se de um conjunto de dados de um grande potencial científico, disponível junto de investigadores credenciados, que permite abordar e responder a várias questões da maior relevância, incluindo na perspetiva das políticas públicas.

Neste contexto, estão atualmente a ser conduzidos vários estudos empíricos, nomeadamente sobre os efeitos das retenções no sucesso escolar futuro, sobre as interações entre alunos em cada turma, bem como novas avaliações do programa-bandeira da EPIS, “Mediadores para o Sucesso Escolar”.

Sublinhe-se a importância da avaliação não só no contexto da educação como também de outras políticas públicas. Avaliar o impacto de programas, conduzir análises custo-benefício, medir os efeitos de diferentes metodologias de intervenção – trata-se de atividades extremamente importantes, sobretudo num contexto de escassez de recursos como o que ainda caracteriza Portugal.

É esta abordagem de rigor na avaliação, em complemento da originalidade das intervenções e da importância social dos objetivos estabelecidos, que tem feito destacar a EPIS tanto em termos nacionais como internacionais. É também esta complementaridade objetivo-intervenção-avaliação que poderá permitir o desenvolvimento da internacionalização da metodologia dos mediadores bem como o alargamento do seu financiamento, por exemplo através dos novos títulos de impacto social em lançamento.

Neste contexto, é ainda de destacar o aprofundamento metodologico iniciado no ano letivo passado, com a introdução da chamada avaliação contrafatual, em grande medida em resultado do empenho do Professor Roberto Carneiro.

Conjuntamente com outros projetos em curso ou em lançamento, nomeadamente o “Atlas EPIS da Educação”, liderado pelo Professor David Justino, e “Aprender a ler e a escrever em Portugal”, liderado pela Professora Maria de Lurdes Rodrigues, também membros do Conselho Científico, a “agenda EPIS de investigação” continua em 2016 de vento em popa.

Precisamos destes e doutros estudos, baseados em dados sólidos, para formar boas opiniões e reforçar a promoção do sucesso escolar.


Pedro S. Martins
Presidente do Conselho Científico da EPIS

20.3.16

 

Novo estudo: "Bias in Returns to Tenure When Firm Wages and Employment Comove"

Disponivel aqui.


8.11.15

 

Salário mínimo: para além das médias


Para compreender e antecipar com rigor os efeitos do aumento do salário mínimo (SM) - na linha do debate em curso (link, link, link) - importa analisar o mercado de trabalho com a maior profundidade possivel.

Desde ja, importa ter em conta que o efeito de um aumento do SM junto de empresas que não têm praticamente nenhum empregado a auferir o salário mínimo será baixo ou mesmo inexistente. Para uma empresa “média”, o aumento do SM nunca terá efeitos significativos, por exemplo em termos de massa salarial ou lucros.

Da mesma forma, para um trabalhador “médio”, com remuneração superior ao SM, esse aumento também não implicará riscos de desemprego.

O problema coloca-se junto das empresas e dos trabalhadores para quem o SM tem significado, mesmo que estes tenham pouco peso nas médias. Mas é aí (nessas "margens") que importa olhar.

Os gráficos em baixo (baseados nos Quadros de Pessoal referentes a outubro de 2013; versao de 2012 aqui) ilustram as enormes diferenças em termos de incidência do SM (ainda no valor de €485) junto de diferentes empresas e trabalhadores – sublinhando a elevada importância e sensibilidade do SM para conjuntos importantes da economia portuguesa.








Entre outros resultados, verifica-se que:
  1. Mais de 30% dos trabalhadores das empresas com entre 1 e 4 trabalhadores e das empresas com até um ano completo de existência auferem o SM (comparando com menos de 5% para as empresas com mais de 250 trabalhadores)
  2. Mais de 20% de todos os trabalhadores de vários distritos (nomeadamente Braga, Vila Real, Bragança e Castelo Branco) e setores (nomeadamente agricultura, alguma industria, transportes, restauração e alguns serviços - nao especificados nos graficos) recebem o SM
  3. Mais de 60% dos trabalhadores com 18 anos recebe o SM, uma percentagem que reduz-se gradualmente com a idade do trabalhador, até estabilizar nos 10% a partir dos 25 anos
  4. Cerca de 25% dos trabalhadores no seu primeiro ano na empresa recebem o SM (comparando com menos de 10% a partir do décimo ano de antiguidade)
  5. Cerca de 20% dos trabalhadores com até ao 3º ciclo do ensino básico recebe o SM, comparando com apenas 5% dos trabalhadores com estudos pós-secundários.

Por outras palavras, o SM tem grande incidência junto de trabalhadores mais jovens, menos qualificados, nos primeiros anos de trabalho, em setores e regioes específicos e em empresas jovens e de pequena dimensão. São precisamente os grupos economicos mais frageis - mas, por outro lado, tambem os que encerram maior potencial de criação de emprego.

Verifica-se também uma forte redução da incidência do SM com a idade do trabalhador ou da empresa ou com a antiguidade na empresa. Estes resultados sublinham o aspeto dinâmico do SM, como um salário de entrada, que é posteriormente aumentado com o tempo.

Também em termos internacionais importa analisar criticamente as análises em termos médios. Por exemplo, a maioria dos estudos existentes sobre o assunto foram feitos sobre países com desemprego e SMs baixos, como são os casos dos EUA ou do Reino Unido. Daqui resulta que é muito difícil extrapolar desses resultados para países com desemprego e SMs elevados (em termos relativos), como é o caso de Portugal.

Em conclusão, dada a elevada incidência do SM junto de importantes grupos de trabalhadores e de empresas, é difícil não concluir no sentido de haver um risco significativo de efeitos negativos de novos aumentos do SM no curto prazo. A história recente de Portugal aponta nesse sentido: veja-se a travagem na quebra do desemprego no semestre subsequente ao aumento de outubro de 2014.

Para aumentar os salários mais baixos, em vez de se procurar soluções aparentemente faceis como o aumento do SM, importa sim concentrar esforços no aumento da produtividade, a principal determinante dos níveis de vida.

10.8.15

 

"The Diversity of Personnel Practices and Firm Performance"


Abstract do meu novo paper sobre praticas de recursos humanos nas empresas portuguesas:

Personnel economics tends be based on single-firm case studies. Here we examine the personnel practices of nearly 5,000 firms, over a period of 20 years, using detailed matched employer-employee panel data from Portugal. In the spirit of Baker et al (1994a, b), we consider different dimensions of personnel management within each firm: worker turnover, the role of job levels and human capital as wage determinants, the dispersion of wages within job levels, the importance of tenure in terms of promotions and exits, and the scope for careers. We find a large degree of diversity in most of these practices across firms. Moreover, some personnel practices are shown to be robust predictors of higher levels of firm performance, even after controlling for time-invariant firm heterogeneity and other variables: low wage dispersion at low and intermediate job levels and a tight relationship between human capital variables and wages.


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